20/06/2011


O vestido de noiva é igual ao da atriz da novela. Dona Lurdes, a mãe, costureira com clientes espalhados pela cidade inteira, dispensou várias encomendas para tudo ficar como Leninha queria. O tecido, elas foram comprar em São Paulo, de ônibus, em uma excursão do tipo bate e volta, na rua 25 de Março. A aventura custou dois meses de salário de consultora de beleza da Leninha, mas valeu a pena.

A tiara é uma cópia perfeita daquela usada pela Princesa Diana em seu casamento. Bom, ela não é feita de diamantes, mas precisa entender muito de pedras para perceber isso. Dona Lurdes quase se afoga nas próprias lágrimas cada vez que a Leninha experimenta a bendita tiara.

O buquê, sem tirar nem pôr, é igual ao daquela famosa apresentadora, não ao que ela usou no último casamento, mas ao que ela levava na mão quando casou com o... Como era mesmo o nome do segundo marido da mulher? Também veio de São Paulo, mas foi feito na China e até melhor porque as flores do buquê da Leninha vão durar para sempre. Como o casamento (e toc, toc, toc, bate na madeira).

A sandália não é igual a de ninguém. Dourada, com detalhes em strass e um salto alto tão fino que, segundo o noivo, Heraldo, vai furar todo o tapete do padre. Mas é como diz a Leninha: o casamento é dela, e é ela quem tem que brilhar.

O bolo foi encomendado para a tia Jacira, confeiteira há mais de 30 anos, e tem cinco andares,  igualzinho ao de uma jovem cantora que acabou de casar. Já aqueles docinhos tradicionais, os  bem-casados, Leninha não quis. Coisa mais cafona. Ela viu em uma revista que, agora,  casamento de bom-gosto tem que ter macarrons (e pobre da tia Jacira, que não consegue  acertar a massa dos doces).

Leninha queria um serviço de buffet. Brigou, chorou, insistiu, mas o pai, seu Augusto, não  abriu mão: festa sem churrasco não é festa. Três colegas do seu Augusto cuidarão das carnes.  E a dona Susana, mulher de um deles, exímia cozinheira, vai se encarregar sozinha das saladas. E olha que são 180 convidados.

A lua de mel não vai ser em uma ilha da Indonésia, como tantas vezes Leninha sonhou. O Heraldo comprou um apartamento financiado para eles, e está um tanto apertado. Mas a noite de núpcias na suíte de um hotel chique está garantida. Tem até hidromassagem.

Abrindo os presentes no quarto, examinando com carinho o faqueiro de inox, as panelas com antiaderente, o
conjunto de sobremesa, o aparelho de fondue, Leninha pensa que Haroldo é até bem parecido com aquele modelo bonito de Santa Catarina, um que se chama Rodrigo, ainda que sem os olhos claros e os cabelos loiros. Heraldo é mais baixo e também meio franzino, mas o charme é o mesmo. E é catarinense também. Não por acaso, Leninha o conheceu quando passava as férias em Camboriú, e ele namorava uma prima dela chamada Fernanda. Mas essa já é outra história.

0 comentários