17/06/2011


Silvia e Roberto torciam para o mesmo time de futebol e foi no estádio, em dia de jogo nervoso que valia a passagem para a final, que os dois se conheceram. Durante um gol, Silvia perdeu o equilíbrio comemorando, Roberto segurou nos braços a menina bonita e foi aquilo. Entre os cantos da torcida, os dois se beijaram e estão se abraçando até hoje.

Um ano foi mais do que suficiente para que a dentista e o bancário decidissem de casar. Entre uma cárie e um branqueamento de dentes, um menininho com medo de dentista e uma senhora que precisava de próteses, Silvia tratou da lista de presentes, do vestido, dos convites, das daminhas de honra, das músicas que queria ouvir. Mas a grande ideia, a que tornou o casamento diferente dos outros, foi de Roberto.

Em dúvida sobre uma cerimônia noturna ou diurna, em uma igreja ou em um clube, formal ou informal e entre tantas outras dúvidas que atacam os noivos, Roberto sugeriu: e se a gente se casasse num estádio de futebol?

Silvia aceitou na hora.

Juntos, foram falar com o padre que cuidava da capelinha do estádio para acertar os detalhes da cerimônia. E então foi o padre quem surpreendeu o casal.

Naquela tarde de setembro, faltando quinze minutos para o início do jogo, os atletas já em campo, o padre entrou no gramado e pediu o microfone para anunciar Silvia e Roberto. Ela de vestido branco, ele de terno, os dois felizes e  nervosos, subiram em um palco de madeira, cercado pelos jogadores e aplaudidos pelo estádio inteiro, para trocar as alianças e selar o compromisso.

O final foi apoteótico: Roberto ergueu sua noiva nos braços, como se ela fosse o troféu mais importante da vida dele, e assim saiu de campo em direção aos camarotes, onde já acontecia a festa de casamento, presente da diretoria do clube.

O time venceu o jogo, o que deixou a noite de núpcias ainda mais feliz. Bem mais tarde, com um lindo balde de gelo deixando o espumante supergelado, Silvia e Roberto consultaram a tabela do campeonato para ver os próximos jogos do seu time de coração.

E prometeram que, no sol ou na chuva, no calor e no frio, na fase boa e na ruim, nunca deixariam de comemorar o amor deles nas arquibancadas do estádio.

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