16/06/2011


Antes que você pense "ah, mas eu não sou noiva, por que devo ler isso?", calma. Ou você já foi, ou um dia será.  E se você é homem, aí sim que deve ler mesmo. Tente identificar em qual caso sua mulher se encaixaria. Teremos para todos os perfis.

E se não pretende casar, vale a pena dar alguns minutinhos para essa leitura, pois posso garantir que acarretará reflexões e até algumas risadas. São histórias que demonstram os diversos momentos da vida de uma mulher, seja antes, durante ou depois de um casamento.

E no primeiro post, vamos começar com uma noiva um pouco mais tradicional. A noiva romântica. Aquela que encanta e sempre se encanta. É uma história triste e emocionante, mas que muita gente vai se sentir a personagem principal.

Boa leitura!

A NOIVA ROMÂNTICA

Todas as meninas do mundo brincam de casinha, de ser mamãe das suas bonecas, de mandar e desmandar nos meninos. Marcela nunca foi diferente.

Com pouco mais de três anos, pediu para ganhar um jogo de panelinhas completo, que até poderia ser da Tramontina, se não fosse de plástico cor-de-rosa. Deu uma busca pelas lojas de brinquedo, sempre arrastando junto uma tia solteira que topava todas com ela, até conseguir batedeira, liquidificador, micro-ondas, fogão com seis bocas. Nunca se viu uma cozinha de brinquedo tão equipada. Louca pelas coisas da casa, ajudava nas arrumações diárias sem que a mãe precisasse pedir, um verdadeiro milagre invejado pelas outras mães do mundo. Sabe aquelas vassouras pequeninhas, vassoura para menina fazer de conta que varre? Marcela pediu de aniversário, para espanto da mãe e tristeza do pai, que já imaginou a única filha dedicada ao lar, sem dar a mínima para os estudos.

Não precisava se preocupar. Ótima aluna, Marcela estudou direitinho, passou no vestibular de fisioterapia, se formou no tempo certo, até oradora da turma ela foi. Só que, durante toda a faculdade, mesmo sem noiva à vista, Marcela tratou de fazer o enxoval (que ela mesma bordava, como as noivas de antigamente) e economizou cada realzinho para comprar panelas, os talheres, os eletrodomésticos e todo o tipo de coisinha para deixar a casa linda.

Até que aconteceu. Marcela conheceu Suelington, sujeito de nome estranho, mas gente finíssima, em uma das festas da Associação dos Fisioterapeutas. A mãe e o pai dele misturaram os nomes e deu nisso, Marcela explicava. O fato é que, com estranheza e tudo, em dois meses o casal estava com o casamento marcado.

- Marcela, Marcela, isso não é amor: é ansiedade.

Apesar da opinião da mãe, Marcela seguiu firme nos preparativos. O apartamento alugado logo passou a receber o enxoval feito com todo o carinho. Nos últimos dias, a correria era grande: lista de noivas, chá de panela, provas de vestido, últimos detalhes da cerimônia e recepção. Para melhor cuidar do seu sonho, Marcela até demissão pediu da clínica de reabilitação em que trabalhava, para a tristeza do pai.

Presentes chegando, convidados confirmando presença por telefone, decoradores entrando e saindo do apartamento. Foi em meio a toda essa confusão que Marcela recebeu uma carta sem remetente, em envelope escuro, entregue por um motoboy. Ao abri-la, a surpresa.

Era Suelington desmarcando o casamento.

Após um breve desmaio e algumas gotas de floral para se acalmar, Marcela leu as poucas linhas, escritas com muitos erros, onde Suelington contava haver conhecido uma garota, modelo de lingerie de uma loja no interior. Apaixonado por Dreisiane, a tal modelo, agora o ex-noivo de Marcela comunicava que estava de partida para uma nova aventura. E não havia nada que pudesse mudar essa decisão.

Marcela não sabia se chorava, se ligava para os convidados para contar o vexame, se escrevia  um desabafo para mandar pela internet, se pegava o primeiro voo para o Paraguai e ficava por  lá um tempo, escondida do mundo. Igreja, Juiz, Dia da Noiva, o vestido quase pronto que  tinha custado uma fortuna. O Curso de Noivas não ensinava o que fazer em caso de abandono.

Depois de quase de desidratar chorando, de ser consolada pela mãe e as amigas e de segurar o  pai, que queria torcer o pescoço de Suelington, Marcela levantou a cabeça. Os presentes ela  devolveu com um bilhetinho carinhoso para cada convidado. Mas alguns foram guardados  para usar na sua vida recém-começada.

Após anos e anos esperando por alguém, Marcela mudou-se para o apartamento montado com tanto carinho, e que tinha mesmo o jeito dela, e está vivendo feliz com a nova garota em que se transformou.

Detalhe: há alguns dias começou a namorar o Antônio. E assim, sem pressa, tem se ocupado em sonhar muitos sonhos, todos bem românticos.

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